Interrompi a escrita da minha teste de mestrado para dissertar um pouco sobre outra questão que me ocorreu e que pretendo partilhar.
Comprei há pouco uma embalagem de quatro rolos de papel higiénico cor-de-rosa e perfumado. Não havia outro na loja do indiano e ainda por cima estavam baratos.
Não. Não vou dizer a marca porque não me pagam para isso.
Almocei e foi inevitável. Dei comigo sentado, naquele trono onde todo o mundo é rei, a contemplar a embalagem.
Ri e reli todas as inscrições. Até mesmo as que vinham em castelhano e fiquei feliz por não sermos os únicos a defecar.
Três novas características saltaram logo à vista. Mas como se não bastassem, vinham acompanhadas com a respectiva explicação, não vá a gente não perceber.
“20% Mais comprido. … Assim, cada rolo dura mais e substitui-se menos vezes.”
“3 Novas camadas. …Fazem com que o papel seja mais absorvente e resistente. Absorve mais de 8 vezes o seu peso.”
E finalmente “O diâmetro do mandril mais pequeno. …permite colocar mais papel no mesmo espaço, sendo mais fácil de transportar e, portanto, mais ecológico."
Depois pensei na cor. Ia começar-me a rir mas contive-me. Afinal fica tão bonito ter o rolo de papel higiénico a condizer com as toalhas e os tapetes da casa de banho. E então pensei “Estes tipos são bons. Pensam em tudo! Agora tenho que comprar uma cortina cor-de-rosa para a minha banheira”.
Mas foi com o cheiro que eu atingi o clímax. Papel higiénico perfumado. Grande invenção! Estes tipos são mesmo bons. Não percebi se perfuma a casa de banho ou se nos perfuma o rabo, mas também não importa perceber. O que interessa é que perfume qualquer coisa.
Desviei o olhar infinito sobre os telhados de Alfama e reconheço agora que a vida não é só curtir. Há pessoas que pensam no nosso bem-estar (e dos espanhóis também). Há toda uma engenharia por de trás das coisas.
Hoje aprendi uma palavra nova: Mandril. Só me custou 1 euro.
Limpei-me feliz. Vou terminar a minha tese de mestrado.

Sem comentários:
Enviar um comentário