quarta-feira, novembro 10

Papel Perfumado

Interrompi a escrita da minha teste de mestrado para dissertar um pouco sobre outra questão que me ocorreu e que pretendo partilhar.

Comprei há pouco uma embalagem de quatro rolos de papel higiénico cor-de-rosa e perfumado. Não havia outro na loja do indiano e ainda por cima estavam baratos.

Não. Não vou dizer a marca porque não me pagam para isso.

Almocei e foi inevitável. Dei comigo sentado, naquele trono onde todo o mundo é rei, a contemplar a embalagem.

Ri e reli todas as inscrições. Até mesmo as que vinham em castelhano e fiquei feliz por não sermos os únicos a defecar.

Três novas características saltaram logo à vista. Mas como se não bastassem, vinham acompanhadas com a respectiva explicação, não vá a gente não perceber.

20% Mais comprido. … Assim, cada rolo dura mais e substitui-se menos vezes.”

3 Novas camadas. …Fazem com que o papel seja mais absorvente e resistente. Absorve mais de 8 vezes o seu peso.”

E finalmente “O diâmetro do mandril mais pequeno. …permite colocar mais papel no mesmo espaço, sendo mais fácil de transportar e, portanto, mais ecológico."

Depois pensei na cor. Ia começar-me a rir mas contive-me. Afinal fica tão bonito ter o rolo de papel higiénico a condizer com as toalhas e os tapetes da casa de banho. E então pensei “Estes tipos são bons. Pensam em tudo! Agora tenho que comprar uma cortina cor-de-rosa para a minha banheira”.

Mas foi com o cheiro que eu atingi o clímax. Papel higiénico perfumado. Grande invenção! Estes tipos são mesmo bons. Não percebi se perfuma a casa de banho ou se nos perfuma o rabo, mas também não importa perceber. O que interessa é que perfume qualquer coisa.

Desviei o olhar infinito sobre os telhados de Alfama e reconheço agora que a vida não é só curtir. Há pessoas que pensam no nosso bem-estar (e dos espanhóis também). Há toda uma engenharia por de trás das coisas.

Hoje aprendi uma palavra nova: Mandril. Só me custou 1 euro.

Limpei-me feliz. Vou terminar a minha tese de mestrado.

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