Ontem andei de avião e reparei que nada mudou desde a última vez que andei.
Verifico que os comissários de bordo continuam a ser tipos estranhos. As hospedeiras ainda não aprenderam a maquilhar-se e há sempre uma que se destaca das outras, não pela beleza mas porque parece ser a mãe.O passageiro português é o único que quando se senta no avião experimenta todos os botões que estão por cima da sua cabeça. Verifica as luzes por cima do assento como se fosse ler na viagem e inspecciona o ar condicionado, apontando-o para todos os quadrantes possíveis. Não satisfeito ainda tem que inspeccionar também os lugares imediatamente ao seu lado, não vá os outros estarem melhores que o seu. Depois baixa e levanta a cadeira várias vezes só para ver qual o máximo que pode ir deitado.
Durante o voo lê as revistas do avião e vai pelo menos uma vez à casa de banho só para experimentar a sensação. Quando regressa ao lugar vem a pensar que um dia gostariam de realizar ali a sua fantasia sexual.
Já sentado passa o carrinho das sandes e dos sumos e, pouco tempo depois, o carrinho dos perfumes. Tudo isto é pago à parte e o português sabe disso. Por isso, o que estes carros têm em comum, para além das quatro rodas, é o facto de ninguém querer nada com eles.
No final, ainda há quem bata palmas quando o avião aterra.
"Bem-vindos a Lisboa, fala o vosso comandante..."
